Recife: 475 anos! Ainda mais histórica

Posted by Domingos Santiago On 0 comentários
Recife: 475 anos! Ainda mais histórica

Lá se vão 475 anos de história. Por quantas transformações passastes. Transformação lenta e contínua. Quantas batalhas já abrigastes. O grito de independência soou por aqui. Quantos eventos. Quanta cultura. Ah, que história!
Ontem (12/03/2012) completastes o teu aniversário de nº 475. Andei por ti ontem e não pude notar que era uma data tão especial. Não notei das pessoas - nem nos seus gestos, nem nas suas atitudes vibração pelos tantos anos de lutas e conquistas. Parece que ninguém percebeu que tornastes ainda mais histórica. Nem pareceu um dia especial. Não amanhecestes mais bela no teu dia. Nenhum enfeite. Nenhuma atenção especial. Nem brilhastes. Parecestes tão comum ontem. Todos trabalharam e nenhum pouco de dedicação exclusiva a ti.
Um bolo de 475 quilos quer dizer o que pra você? Tua data foi comemorada em teus bairros? Nas esquinas houveram brindes? Quantos anos fizestes hoje? Certamente, muitos não souberam e nem saberão dizer. Não fizeram ideia, esqueceram. Não te reservaram este dia. Não decretaram feriado.
Talvez gostes de ver tuas ruas em movimento. O bairro de São José pegando fogo, as pontes com um vaivém de gente, a Agamenon Magalhães com seu trânsito matinal e a Conde da Boa Vista bem movimentada no seu fim de expediente. Recife gosta de movimento, de rotina.
Deves ser amada quantas vezes no ano? Trezentas e sessenta e cinco vezes e mais uma nos anos bissextos. Mais uma ano para a história da nossa Veneza Brasileira. Recife dormirá hoje para viver movimentada amanhã e (se Deus quiser!) mais 475 anos de efervescência. 

Agora é minha hora de parar, olhar para este céu nublado que te foi presenteado de aniversário para dizer bem baixinho, sussurrando: "parabéns!".

Recife, poesia

Amar mulheres, várias.
Amar cidades, só uma - Recife.
E assim mesmo com as suas pontes,
e os seus rios que cantam,
e seus jardins leves como sonâmbulos
e suas esquinas que desdobram os sonhos de Nassau.

Amar senhoras, muitas. Cidade,
só uma, e assim mesmo com o vento amplo do Atlântico
e o sol do Nordeste entre as mãos.

Felizes os jovens poetas que recebem em seus corações
antes do amor e depois da infância
a palavra, a cidade Recife.
Felizes os poetas que podem lembrar-se eternamente
das pontes que separavam: ia-se a noite
no Capibaribe, e as águas do Beberibe
te davam, ó Madalena
o meu primeiro verso.

Corola diante do mar,
bares da arte poética,
bondes, navios, aviões.
Cidade, meus pés transportam as tuas pontes
para margens versáteis.

Igrejas nos postais, namorados nos portais.
Recife de meu pai,
Recife que me deu a poesia sem que eu pedisse nada,
cidade onde se descobre Rimbaud,
a maresia de antigamente em meus olhos abertos.
Mulheres, inúmeras. Cidade, só uma
e assim mesmo diante do mar.

Lêdo Ivo

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