Terceiro Setor não é só filantropia

Posted by Domingos Santiago On 0 comentários
Numa sociedade cada vez mais globalizada, em meio à crise de identidade do Estado e do Mercado, atua o Terceiro Setor enquanto sociedade civil ativa, cumprido um papel complementar à realidade. A promoção da cidadania depende do poder de implementação de políticas públicas pelo Estado para o consequente exercício de direitos. A ideia de uma sociedade organizada em entidades parcialmente autônomas surge da lacuna do poder local. Quando o poder central mostra-se inacessível aos interesses do povo e a política deixa de ser o caminho para o exercício de direitos a tendência é o surgimento de novas formas de organização.
            O Terceiro Setor se mostra como o reflexo da impotência do Estado e Mercado em responder às necessidades democráticas postas numa cidadania cada vez mais planetária. O conceito de terceiro setor, portanto, é bastante complexo e heterogêneo. As formas tradicionais de ajuda também são importantes, como grêmios, pastorais, igrejas, associações, etc. É realizado por diversos atores: os governantes, as ONGs, as agências internacionais, as campanhas, as grandes corporações nacionais e multinacionais e as agências financiadoras norte-americanas.
            Esse conjunto de iniciativas privadas, de caráter público, sem fins econômicos funcionam estruturalmente como associações e fundações destinadas diretamente ao atendimento do interesse público. O papel dos movimentos sociais numa democracia não é suplantar os partidos políticos, mas enriquecer os canais de deliberação e exercer influência nas tomadas de decisões relevantes, o que denota uma verdade; afinal, o povo é o legítimo detentor do poder e é em nome dele que esse poder é exercido; eis o fio condutor para a sedimentação da atuação dos movimentos sociais de forma organizada e sua transformação no que é denominado terceiro setor.
            Embora o terceiro setor na atualidade não possua mais visão estritamente filantrópica, o voluntariado é uma de suas maiores bandeiras no cumprimento da cidadania. Os fatores que permeiam a conduta de um ser humano a prestar um serviço sem qualquer retorno material são refletidos de forma direta no conceito de cidadania, pois ele participa de forma ativa dos assuntos de interesse da comunidade e da administração dos governos, com propostas para a solução dos mais diversos problemas que assolam a sociedade. A solidariedade significa o caminho da participação dos cidadãos nas instituições do Estado e na ocupação dos espaços das instituições da sociedade civil, formando uma rede de articulação entre Estado e sociedade.


O texto é um resumo dos artigos:
= NETO, José Querino Tavares. FERNANDES, Aline Ouriques Freire. Terceiro setor e interesses coletivos: as alternativas sociais na busca da cidadania.
= PASSOS, Leandro Pereira. O princípio da solidariedade como caminho na obtenção da cidadania plena.

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